Thursday, November 16, 2006

Candomblé

HISTÓRICO

O Candomblé é uma religião originária da África, trazida ao Brasil pelos negros escravizados na época da colonização brasileira. A presença das religiões africanas é uma conseqüência imprevista do tráfico dos escravos, que determinou a afluência de cativos Gegês e Nagôs (Daomeanos e Yorubás), trazidos da Costa dita dos Escravos e desembarcados, principalmente, na Bahia e em Pernambuco.
A extraordinária resistência oposta pelas religiões africanas às formas de alienação e de extermínio haveria de surpreender. A religião foi tolerada porque os senhores julgavam as danças e os batuques simples divertimentos de negros nostálgicos, úteis para que eles guardassem a lembrança de suas origens diversas e de seus sentimentos de aversão recíproca.
O Candomblé se difundiu no Brasil no século passado, com a migração de africanos como escravos para os senhores de terra. A população escrava no Brasil consistia quase totalmente de negros de Angola. No momento da chegada dos nagôs, um século e meio de escravidão havia passado, distribalizando o negro e apagando seus costumes, crenças e sua língua nacional. Mas o elemento africano, resistiu e criou uma forma de cultuar seus deuses através do sincretismo com os santos católicos.
Mesmo levando em conta a pressão social e religiosa, era relativamente fácil para os escravos, na sonolência geral, reinstalar na Bahia as crenças e práticas religiosas que trouxera da África, pois, a igreja católica estava cansada do esforço despendido na criação de irmandades de negros como tentativa de anular toda sua cultura, mas todos os meses novas levas de escravos, adeptos ao culto aos Orixás, desembarcavam na Bahia.
Por volta de 1830 três negras conseguiram fundar o primeiro templo de sua religião na Bahia, conhecida como Ylê Yá Nassó, casa da mãe Nassó. (Nassó seria o título de princesa de uma cidade natal da costa da África). Esta seria a primeira a resistir às opressões católicas, desta casa se originam mais três que sobrevivem até hoje e que fazem parte do grande Candomblé da Bahia, sendo elas: O Engenho velho ou Casa Branca, Gantóis, cuja ilustre dirigente foi mãe menininha do gantóis (falecida em 1986) e do Alaketu.
Os Candomblés se diversificaram desde 1830, a medida que a religião dos nagôs se firmava, primeiro entre os escravos e for fim, no seio do povo. Hoje há quatro tipos de Candomblé ou Candomblé de quatro nações: Kêtu (povo nagô), Jêje (povo nagô, mas obedientes a uma outra cultura), Angola-congo (povo bantu, este culto é mais abrasileirado) e de caboclo (cultuam mais os caboclos, mistura-se com a Umbanda).
O Candomblé baseia-se no culto aos Orixás, deuses oriundas das quatro forças da natureza: Terra, Fogo, Água e Ar. Os Orixás são, portanto, forças energéticas, desprovidas de um corpo material. Sua manifestação básica para os seres humanos se dá por meio da incorporação. O ser escolhido pelo orixá, um dos seus descendentes, é chamado de elegum, aquele que tem o privilégio de ser montado por ele. Torna-se o veículo que permite ao orixá voltar à Terra para saudar e receber as provas de respeito de seus descendentes que o evocaram. Cada orixá tem as suas cores, que vibram em seu elemento visto que são energias da natureza, seus animais, suas comidas, seus toques (cânticos), suas saudações, suas insígnias, as suas preferências e suas antipatias, e aí daquele que devendo obediência os irrita.
A síntese de todo o processo seria a busca de um equilíbrio energético entre os seres materiais habitantes da Terra e a energia dos seres que habitam o orum, o suprareal (que tanto poderia localizar-se no céu - como na tradição cristã - como no interior da Terra, ou ainda numa dimensão estranha a essas duas, de acordo com diferentes visões apresentadas por nações e tribos diferentes). Cada ser humano teria um orixá protetor, ao entrar em contato com ele por intermédio dos rituais, estaria cumprindo uma série de obrigações. Em troca, obteria um maior poder sobre suas próprias reservas energéticas, dessa forma teria mais equilíbrio.
Cada pessoa tem dois Orixás. Um deles mantém o status de principal, é chamado de orixá de cabeça, que faz seu filho revelar suas próprias características de maneira marcada. O segundo orixá, ou ajuntó, apesar de distinção hierárquica, tem uma revelação de poder muito forte e marca seu filho, mas de maneira mais sutil. Um seria a personalidade mais visível exteriormente, assim como o corpo de cada pessoa, enquanto o outro seria a face oculta de sua personalidade, menos visível aos que conhecem a pessoa superficialmente, e às potencialidades físicas menos aparentes.
Como qualquer outra religião do mundo, o Candomblé possui cerimoniais específicos para seus adeptos porém, esses ritos mostram singularidades especialíssimas, como a leitura de búzios (um primeiro e ocular contato com os Orixás), a preparação e entrega de alimentos para cada uma das entidades ou as complexas e prolongadas iniciações dos filhos-de-santo. Através da observância desses procedimentos é que o Candomblé religa os humanos aos seres astrais, proporcionando àqueles o equilíbrio desejado na existência.


ORIXÁS
Os negros africanos, ao chegarem ao Brasil, trouxeram um culto primitivo, oriundo de sua pátria, conhecido como Candomblé. Aparentemente de maneira infantil, cultuavam alguns deuses chamados por eles de "orixás". Essas divindades seriam, por um lado, ligadas à natureza e por outro aos homens. Praticantes seculares do mediunismo, os negros adeptos do Candomblé, não aceitavam e não aceitam até hoje, a "incorporação" em seus médiuns de Espíritos de "mortos". No Candomblé um Espírito errante é chamado de "egum".
As definições a seu respeito e as lendas africanas a respeito de onde eles se originaram são várias, mas coincidem em alguns pontos básicos: Orixás são divindades intermediárias entre o Deus Supremo e o mundo terrestre, encarregados de administrar a criação e se comunicar com os homens através de vistosos e complexos rituais. As estórias sobre eles falam-nos de seres profundamente humanos em seu comportamento - arquétipos que encontram correspondência com várias mitologias, entre elas a greco-romana.
Existem duas correntes básicas que tentam explicar o aparecimento dos Orixás. Uma delas remonta a criação do universo. Antes de tudo havia o caos, até que um deus supremo, Olorum (à semelhança do Deus católico) criou o universo, suas estrelas, planetas, o mundo material, que se separava, de maneira drástica, do que havia antes, o mundo imaterial ou sobrenatural. Para estabelecer seu controle sobre os seres que habitariam esses mundos (ou, especificamente, à Terra), Olorum criou os elementos, sendo cada um deles a forma material dos Orixás.
Outra maneira de se explicar o mesmo processo é menos mística; os Orixás seriam seres humanos importantes, donos de grande poder em vida, que morreram de maneiras incomuns, por meio de grandes acessos de cólera ou então de fulminante paixão. Essa sobrecarga de sentimento teria provocado uma espécie de derramamento da essência de cada ser, impedindo que eles assumissem a forma comum de todos os espíritos mortos, os eguns. Neste caso, tais espíritos se identificariam com um dos elementos da natureza.
O Orixá seria, então, um ancestral divinizado, que, quando vivo, estabeleceu controle sobre certas forças da natureza, tais como o trovão, o vento, as águas doces ou salgadas, ou mesmo sobre certas atividades como a caça, o trabalho em metal, ou ainda, sobre o conhecimento das virtudes e da utilização das plantas. O poder, o Axé, do ancestral Orixá teria a faculdade, depois da sua morte, de se transmitir momentaneamente a um de seus descendentes, no decorrer de uma crise de possessão.
Havia cerca de 600 Orixás na África, que se reduziram a 50 no Brasil; desses, apenas 16 são cultuados no Candomblé na atualidade. Esse processo de assimilação, no entanto, não está definido; ao longo deste século, assistiu-se, por exemplo, à progressiva reabilitação de Nanã, assim como outras entidades aos poucos vão sendo esquecidas.
Os "orixás", ao presidirem a própria natureza através de seus agentes, trariam em si características de personalidade que os ligariam a determinados estados evolutivos da espécie humana. A vibração provocada pelo tipo de personalidade de um certo indivíduo, vai colocá-lo sob a influência de determinado "Orixá". Diz-se, então, que ele é oriundo daquela faixa psíquica, ou como fazem no Candomblé, que ele é "filho de Santo". Os orixás podem ser considerados arquétipos da personalidade freqüentemente escondida das pessoas. Os seus adeptos têm em comum tendências inatas e um comportamento geral correspondente a cada Orixá: a virilidade devastadora e vigorosa de XANGÔ, a feminilidade elegante e vaidosa de OXUN, a sensualidade desenfreada de OYÁ-YANSAN, a calma benevolente de NANAN, a vivacidade e a independência de OXOSSI, o masoquismo e o desejo de expiação de OMOLU etc. os mais cultuados atualmente no Brasil, e de acordo com o título, uma religião a serviço do povo, os de maior interesse pela nossa própria necessidade, maior conhecimento e interação. Levando sempre em consideração que são denominados na linguagem yorubana.
Existe uma subdivisão, entre os orixás, que os diferencia e identifica, de uma forma mais individual, mesmo dentro do seu grupo, que é denominado "qualidade" do orixá, cabe uma explicação mais aprofundada; cada pessoa tem um orixá individual, único e exclusivo, não existem dois orixás iguais em toda terra, e todos possuímos, o que chamamos de "cuia' , formada por sete orixás, sendo um principal, chamado de "frente" - o dono do Orí - , o segundo "ajuntó", os demais: "proteção", "carrego", "alicerce" e "cumieira". A cada orixá, as qualidades variam de acordo com a nação que se pratica (kêto, gêge, angola, ijexá, fon...), essas qualidades exprimem situações desses orixás, que podem ser, títulos honoríficos (caso de Xangô), tipos de animais, lugares, situações, formas ... os sete orixás que formam a "cuia" de cada pessoa, com as suas mais diversas qualidades, formam entre si, uma combinação matemática, quase que infinita, o que propicia a cada indivíduo, um orixá único, sem outro igual.

Os principais Orixás dos Candomblés da Bahia e suas respectivas lendas são:


EXU ( "esfera" )
A palavra EXU em iorubá significa "ESFERA", aquilo que é infinito, que não tem começo nem fim. Exu serve como intermediário entre os Orixás e nós, homens. É a força da criação, é o princípio de tudo, o nascimento, o equilíbrio negativo do Universo, (o que não quer dizer coisa ruim). Exu é a célula da criação da vida, aquele que gera o infinito, infinitas vezes. É o primeiro passo em tudo. Está presente, mais que em tudo e todos, na concepção global da existência. É a capacidade dinâmica de tudo que tem vida. Principalmente dos seres humanos, que carregam em seu plexo este elemento dinâmico denominado Exu. No candomblé é chamado Bára, ou seja, "no corpo", preso a ele. É a abertura de todos os caminhos e a saída de todos os problemas. Aquele que ludibria, engana, confunde; mas, também ajuda, dá caminhos, soluciona.
Seu símbolo não é o tridente associado ao diabo, mas sete ferros voltados para cima representando os sete caminhos do homem, os sete chacras (pontos de captação, distribuição e armazenamento de energia), as sete cores, as sete auras.
É o mais humano dos orixás, sendo uma divindade de fácil relacionamento. Sua função de contato entre o homem e os demais orixás faz com que supere o real, e atinja o mágico. São os orixás que respondem no jogo de búzios, mas é Exu que traduz a resposta.
Não é dele a responsabilidade de decidir o que é certo ou errado; apenas realiza a tarefa para a qual foi invocado. Teria mesmo papel que o deus Mercúrio na mitologia grega.

OGUM (gum: "guerra")
É orixá das contendas, deus da guerra. Seu nome, traduzido para o português, significa luta, batalha, briga. Divindade masculina iorubana, o filho mais enérgico de Odùduà, tornou-se regente da cidade de Ifé quando seu pai ficou temporariamente cego. Em outras lendas filho de Iemanjá e irmão mais velho de Exu e Oxóssi. Por este último nutre um enorme sentimento, um amor de irmão verdadeiro.
É o deus do ferro, dos ferreiros e de todos que utilizam esse metal. Força da natureza que se faz presente nos momentos de impacto e nos momentos fortes. O sangue que corre no nosso corpo é regido por Ogum. Considerado como um orixá impiedoso e cruel, temível guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos, ele até pode passar esta imagem, mas também sabe ser dócil e amável. É a vida em sua plenitude.
Os lugares consagrados a Ogum ficam ao ar livre, na entrada das casas e terreiros. Geralmente são pedras em forma de bigorna junto às árvores. Ogum é representado também por franjas de palmeira ou dendezeiro desfiadas chamadas mariwo que penduradas nas portas ou janelas, representam proteção, cortando as más influências e protegendo contra pessoas indesejáveis.
O culto a Ogum é bastante difundido tanto no Brasil quanto na Nigéria. Sem sua permissão e proteção, nenhuma atividade útil, tanto no espaço urbano como no campo, poderia ser aproveitada.
Deve ser invocado logo após Exu ser despachado, abrindo caminho para os outros orixás. Como na África, ele é representado por sete objetos de ferro pendurados em uma haste de metal. A importância de Ogum vem do fato de ser ele um dos mais antigos dos deuses iorubás e, também, em virtude de sua ligação com os metais e aqueles que os utilizam.

OXÓSSI (oxo: "caçador; ossi: "noturno")
Oxóssi, deus dos caçadores teria sido o irmão caçula ou o filho de Ogum , é o orixá da caça, chamado muitas vezes de Odé Wawá, ou seja, "Caçador dos Céus". É a divindade da fartura, da abundância, da prosperidade, Em seu lado negativo, porém, pode ser também o pai da míngua, da falta de provisão. A seguir citaremos outras importâncias, isto é, atribuições de Oxóssi:
Suas principais características são a ligeireza, a astúcia, a sabedoria, o jeito ardiloso para faturar sua caça. É um orixá de contemplação, amante das artes e das coisas belas.
Como todos os orixás, Oxóssi também está no dia-a-dia dos seres vivos, convivendo intimamente com todos nós. Dentro do Culto, ele é o caçador do Axé, aquele que busca as coisas boas para uma Casa de Santo, aquele que caça as boas influências e as energias positivas.
No dia-a-dia, encontramos o deus da caça no almoço, no jantar, enfim em todas as refeições, pois é ele que provê o alimento. Rege a lavoura, a agricultura, permitindo bom plantio e boa colheita para todos.
O culto a esse orixá é bastante difundido no Brasil, mas pouco lembrado na Nigéria, o que se deve ao fato de Oxóssi ter sido cultuado basicamente em Keto (terra dos panos vermelhos), onde foi consagrado como rei. No século XIX, devido ao tráfico negreiro, a cidade foi praticamente destruída pelos ataques das tropas do rei Daomé. Os filhos consagrados a Oxóssi foram vendidos como escravos no Brasil, Antilhas e Cuba. É o orixá que cultua o próprio individualismo, tendo determinação para qualquer combate. Outros deuses da caça: Oriluerê, Erinlé, Ibualama, Logun Edé.

XANGÔ ("aquele que se destaca pela força e revela seus segredos")
Talvez estejamos diante do orixá mais cultuado e respeitado no Brasil. Isso porque foi ele o primeiro deus iorubano, por assim dizer, que pisou em terras brasileiras. É portanto, o principal tronco dos candomblés do Brasil.
No aspecto histórico xangô teria sido o terceiro Aláàfin Òyó, filho de Oranian e Torosi; no seu aspecto divino, permanece filho de Oranian, divinizado, porém tendo Yamase como mãe e três divindades como esposas: Oiá, Oxum e Obá..
Xangô é o rei das pedreiras, senhor dos raios e do trovão, pai da justiça e o orixá que gera o poder da política. Guerreiro, bravo e conquistador, Xangô também é conhecido como o orixá mais vaidoso entre os deuses masculinos africanos. É monarca por natureza e chamado pelo termo Obá, que significa rei. E é o orixá que reina em Oyó, na Nigéria, antiga capital política daquele país.
No dia-a-dia encontramos Xangô nos fóruns, delegacias, ministérios políticos, lideranças sindicais, associações, movimentos políticos, nas campanhas e partidos políticos, enfim, em tudo que gera habilidade no trato das relações humanas ou nos governos, de um modo geral.
Xangô é a ideologia, a decisão, a vontade, a iniciativa. É a rigidez, organização, o trabalho, a discussão pela melhora, o progresso social e cultural, a voz do povo, o levante, a vontade de vencer. Também o sentido de realeza, a atitude imperial, monárquica. É o espírito nobre das pessoas, o chamado "sangue azul", o poder de liderança.
Para Xangô, a justiça está acima de tudo e, sem ela, nenhuma conquista vale a pena; o respeito pelo rei é mais importante que o medo.
Este, que apesar de grande guerreiro, justo e conquistador, detesta doenças, a morte e aquilo que já morreu. Xangô é avesso a eguns (espíritos desencarnados). Admite-se até que ele é uma espécie de imã de eguns, daí sua aversão a eles.
Xangô costuma entregar a cabeça de seus filhos a Obaluaiê e Omulu sete meses antes da morte destes, tal o grau de aversão que tem por doenças e coisas mortas.

OIA-IANSÃ ou OYÁ (mesan: "nove")
Oia-Iansã é o orixá de um rio conhecido como Níger, cujo nome original em iorubá é Oyá. Deusa da espada do fogo, dona da paixão, Oia-Iansã é a rainha dos raios, dos ciclones, furacões, tufões, vendavais.
Orixá do fogo, guerreira e poderosa. Mãe dos eguns, guia dos espíritos desencarnados, senhora do cemitério.
Orixá da provocação e do ciúme. Paixão violenta , que corrói, que cria sentimentos de loucura, que cria o desejo de possuir, o desejo sexual. É a volúpia, o clímax. Ela é o desejo incontido, o sentimento mais forte que a razão. A frase "estou apaixonado" tem a presença e a regência de Oia-Iansã, que é o orixá que faz nossos corações baterem com mais força e cria em nossas mentes os sentimentos mais profundos, abusados, ousados e desesperados. É o ciúme doentio, a inveja suave, o fascínio enlouquecido. É a paixão propriamente dita. É a falta de medo das conseqüências de um ato impensado no campo amoroso. Oia-Iansã rege o amor forte, violento.
Oyá é também a senhora dos espíritos dos mortos, dos eguns. É a deusa dos cemitérios. É ela que servirá de guia, ao lado de Obaluaiê, para aquele espírito que se desprendeu do corpo. É ela que indicará o caminho a ser percorrido por aquela alma. Comanda a falange dos Boiadeiros.
Embora tenha sido esposa de Xangô, Oia-Iansã percorreu vários reinos. Foi paixão de Ogum, Oxaguian, Exu. Conviveu e seduziu Oxóssi, Logun-Edé e tentou, em vão, relacionar-se com Obaluaiê. Em Ifé, terra de Ogum, foi a grande paixão do guerreiro. Aprendeu com ele e ganhou o direito do manuseio da espada. Em Oxogbo, terra de Oxaguian, aprendeu e recebeu o direito de usar o escudo. Deparou-se com Exu nas estradas, com ele se relacionou e aprendeu os mistérios do fogo e da magia. No reino de Oxóssi, seduziu o deus da caça, aprendendo a caçar, tirar a pele do búfalo e se transformar naquele animal com a ajuda da magia aprendida com Exu. Seduziu o jovem Logun-Edé e com ele aprendeu a pescar. Oia-Iansã partiu, então, para o reino de Obaluaiê, pois queria descobrir seus mistérios e até mesmo conhecer seu rosto, mas nada conseguiu pela sedução. Porém, Obaluaiê resolveu ensinar-lhe a tratar dos mortos. De início, Oia-Iansã relutou, mas seu desejo de aprender foi mais forte aprendeu a conviver com os eguns e controlá-los. Partiu, então, para Oió, reino de Xangô, e lá acreditava que teria o mais vaidoso dos reis, e aprenderia a viver ricamente. Mas, ao chegar ao reino do deus do trovão, Oia-Iansã aprendeu muito mais. Aprendeu a amar verdadeiramente e com uma paixão violenta, pois Xangô dividiu com ela os poderes do raio e deu a ela o seu coração.
O fogo é o elemento básico de Oia-Iansã. O fogo das paixões, da alegria, o fogo que queima. E aqueles que dão uma conotação de vulgaridade a essa belíssima e importantíssima divindade africana, são dignos de pena e mais dignos ainda, do perdão de Oia-Iansã.

OXUM (rio que passa por Oxogbo, na Nigéria) .
Segunda esposa de Xangô, tendo vivido em outras épocas com Ogum e Oxóssi. Sua morada é nas cachoeiras e rios de água doce, onde costumam lhe entregar comidas e presentes. Na África é chamada Iyalode, cargo ocupado pela mulher mais importante da cidade.
Foi rainha de Oyó, onde as mulheres que queriam engravidar procuravam-na, sendo respeitadíssima como feiticeira. Como todos os outros orixás, existem diversos tipos de Oxuns, de acordo com a proximidade de uma tribo ou a profundidade do rio. Oxum pode ser maternal, jovem feiticeira ou uma guerreira.
Mãe da água doce, deusa da candura e da meiguice, dona do ouro. Oxum é a rainha do Ijexá. Orixá da prosperidade, da riqueza, ligada ao desenvolvimento da criança ainda no ventre da mãe.
Oxum exerce uma ampla influência no comportamento dos seres humanos, regendo principalmente o lado teimoso e manhoso, além daquele espírito maquiavélico que existe em todos nós. No bom sentido, Oxum " é o veneno das palavras", é o modo piegas das pessoas, é a forma "metida", esnobe apresentada principalmente pelo sexo feminino. É o cochicho, o segredinho, a fofoca. Está encantada nas conversas, nos risinhos, nos comentários, nas intriguinhas. Rege o charme, o it, a pose; tudo que está ligado à sensualidade, sutileza, ao dengo, sendo o sexo feminino o mais influenciado. É o flerte, o carinho. É o amor puro, real, maduro, solidificado, sensível, não chegando a ser a paixão. É o amor verdadeiro; ela propicia e alimenta este sentimento nos homens, fazendo-os ser mais calmos e românticos. É a deusa do amor. Oxum está muito intimamente ligada à magia, pois é a divindade africana mais ligada às yámi oxorongá, feiticeiras, bruxas. Com elas aprendeu a arte da magia, estando esta arte ligada ao amor.
Regente do ouro, ela está presente e se encanta em joalherias e outros lugares onde se trabalha com ouro, seu metal predileto e de regência absoluta. É a protetora dos ourives. É o próprio ouro. A regência mais fascinante de Oxum é o processo de fecundação. Na multiplicação da célula mater, Exu entrega a regência para Oxum que vai cuidar do embrião, do feto, até o nascimento. É Oxum que vai evitar o aborto, manter a criança viva e sadia na barriga da mãe, onde no nascimento a entrega para Iemanjá, que lhe dará destino.

NANÃ (originalmente Néné / Nana / Nanã)
Nanã, chamada também Nanã Burucu, Nanã Buruquê, é de origem Jeje, da região de Dassa Zumê e Savê, no Daomé, hoje conhecida como República de Benin.
A mais temida de todos os orixás, a mais respeitada, a mais velha, poderosa e séria. Está associada à maternidade. Teria o poder de dar a vida e forma aos seres humanos, por isso é também considerada orixá da fecundação e dos primórdios da criação. Ela é a deusa dos pântanos, da morte (associada à terra, para onde somos levados), transcendência.
Entre o mundo dos vivos e dos mortos, existe um portal. É a passagem, a fronteira entre a vida e a morte. Sua regente: Nanã. Senhora e geradora da morte (Iku).
Seus cânticos são súplicas para que leve Iku para longe, para que a vida seja mantida. É a força da natureza que o homem mais teme. Ela é senhora da passagem desta vida para outras, comandando o portal mágico, a passagem das dimensões.
Nanã está presente nos lamaçais, pois nasceu do contato da água com a terra, formando a lama, dando origem a sua própria vida. Na África, é chamada de Iniê, e seus assentamentos são salpicados de vermelho. Ela é a chuva, a garoa, a tempestade. O banho de chuva é uma lavagem do corpo no seu elemento; uma limpeza de grande força, uma homenagem a este grande orixá.
Nanã é a mãe de Obaluaiê. Tratou sempre de si e de seu filho de forma nobre, nunca se metendo ou preocupando com o que as outras pessoas faziam da própria vida. Ogum travou batalha com Nanã pelo direito de passar por suas terras. Por ser um forte e valente guerreiro, não admitia em pedir licença a uma "velha" para entrar em seus domínios. Diante dos perigos do pântano e da ira de Nanã, foi obrigado a bater em retirada tendo que achar outro caminho, longe das terras de Nanã. Esta, por sua vez, aboliu o uso de metais em suas terras. E até hoje, nada pode ser feito com lâmina de metal para ela

IEMANJÁ (iya: "mãe"; omo: "filho"; eja: "peixe").
A majestade dos mares, senhora dos oceanos, sereia sagrada, Iemanjá é a rainha das águas salgadas, considerada como mãe da maioria dos orixás, regente absoluta dos lares, protetora da família. Chamada também de deusa das pérolas, é aquela que apara a cabeça dos bebês no momento de nascimento.
Essa força da natureza também tem papel muito importante em nossas vidas, pois é ela reger nossos lares, nossas casas. É ela que dá o sentido da família às pessoas que vivem debaixo de um mesmo teto. Ela é a geradora do sentimento de amor ao seu ente querido, que vai dar sentido e personalidade ao grupo formado por pai, mãe e filhos tornando-os coesos. Rege as uniões, os aniversários, as festas de casamento, todas as comemorações familiares. É o sentido da união por laços consangüíneos ou não.
Numa Casa de Santo, Iemanjá atua dando sentido ao grupo, à comunidade ali reunida e transformando essa convivência num ato familiar; criando raízes e dependência; proporcionando sentimento de irmão para irmão em pessoas que a bem pouco tempo não se conheciam; proporcionando também o sentimento de pai para filho ou de mãe para filho e vice-versa, nos casos de relacionamento dos Babalorixás (Pai de Santo) ou Ialorixás (Mãe de Santo) com os Omorixás (Filhos de Santo).
A necessidade de saber se aquele que amamos estão bem, a dor pela preocupação, é uma regência de Iemanjá, que não vai deixar morrer dentro de nós o sentido de amor ao próximo, principalmente em se tratando de um filho, filha, pai, mãe, outro parente ou amigo muito querido. É a preocupação e o desejo de ver aquele que amamos a salvo, sem problemas, é a manutenção da harmonia do lar.
É ela que proporcionará boa pesca nos mares, regendo os seres aquáticos e provendo o alimento vindo do seu reino. É ela quem controla as marés, é a praia em ressaca, é a onda do mar, é o maremoto. Protege a vida marinha.
Filha de Olokum e mãe da maioria dos orixás. Sua cor é branca, associada ao orixá Oxalá; juntos teriam feito a criação do mundo. É proveniente de uma nação chamada Egbá, na Nigéria, onde existe um rio com o mesmo nome do orixá.
Exu, seu filho, se encantou por sua beleza e tomou-a à força, tentando violentá-la. Uma grande luta se deu, e bravamente Iemanjá resistiu à violência do filho que, na luta, dilacerou os seios da mãe. Enlouquecido e arrependido pelo que fez, Exu "caiu no mundo" desaparecendo no horizonte.
Caída ao chão, Iemanjá entre a dor, a vergonha, a tristeza e a pena que teve pela atitude do filho, pediu socorro ao pai Olokum e ao criador Olorum. E, dos seus seios dilacerados, a água, salgada como a lágrima, foi saindo dando origem aos mares. Exu, pela atitude má, foi banido para sempre da mesa dos orixás, tendo como incumbência eterna ser o guardião, não podendo juntar-se aos outros na corte.

OBALUAIÊ ( "rei", "senhor da terra")
Deus originário do Daomé. Obaluaiê é uma flexão dos termos Obá (rei) - Oluwô (senhor) - Ayiê (terra), "rei, senhor da terra". Omulu também é uma flexão dos termos: Omo (filho) - Oluwô (senhor) que quer dizer "filho e senhor". Obaluaiê, o mais moço, é o guerreiro, caçador, lutador. Omulu, o mais velho, é o sábio, o feiticeiro, guardião. Porém, ambos têm a mesma regência e influência, significam a mesma coisa, têm a mesma ligação e são considerados a mesma força da natureza.
Obaluaiê é o sol, a quentura e o calor do astro rei, é o senhor das pestes, das doenças contagiosas ou não. É o rei da terra, do interior da terra, e é o orixá que cobre o rosto com o Filá (de palha da Costa), porque para os humanos é proibido ver o seu rosto devido à deformação feita pela doença, e pelo respeito que devemos a esse poderosíssimo orixá. Está no funcionamento do organismo, na dor que sentimos pelo mau funcionamento dos órgãos, por um corte, queimadura ou traumatismo. A ele devemos a nossa saúde. Trata do interior, mas cuida também da pele e de suas moléstias.
Divide com Oia-Iansã a regência dos cemitérios, pois é o orixá que vem como emissário de Oxalá (princípio ativo da morte), para buscar o espírito desencarnado. É ele que vai mostrar o caminho, servir de guia para aquele espírito. Obaluaiê também é o senhor da terra e das camadas do seu interior, para onde vamos todos nós. Daí sua ligação com os mortos, pois é ele quem vai cuidar do corpo sem vida. Também conhecido como Xapanã.
Obaluaiê está presente no nosso dia-a-dia, quando sentimos dores, agonia, aflição, ansiedade. Está presente quando sentimos coceira e comichões na pele. Rege também o suor, a transpiração e seus efeitos. Rege aquele que tem problemas mentais, perturbações nervosas e todos os doentes. Está presente nos hospitais, casas de saúde, ambulatórios, clínicas, sempre próximo aos leitos. Rege os mutilados, aleijados, enfermos. Ele proporciona a doença, mas principalmente a cura, a saúde. É o orixá da misericórdia. Rege a má digestão, a congestão estomacal. Gera o ácido úrico e seus efeitos.
Filho de Nanã, que o abandonou por ser doente, foi criado por Iemanjá. Orixá fundamentalmente Jeje, mas louvado em todas as nações por sua importância. Conta-se que, abandonado por Nanã, foi cuidado por Iemanjá que o alimentava com pipoca sem sal acrescida de mel para melhorar o gosto, e passava azeite de dendê em suas feridas para aliviar a dor e coceira.



IBEJI (ib: "nascer"; eji: "dois")
Ibeji na nação Keto, ou Vunji nas nações Angola e Congo. É o orixá Erê, ou seja, o orixá criança. É a divindade da brincadeira, da alegria; sua regência está ligada à infância.
Ibeji está presente em todos os rituais do Candomblé pois, assim como Exu, se não for bem cuidado pode atrapalhar os trabalhos com suas brincadeiras infantis, desvirtuando a concentração dos membros de uma Casa de Santo. É o orixá que rege a alegria, a inocência, a ingenuidade da criança. Sua determinação é tomar conta do bebê até a adolescência, independente do orixá que a criança carrega.
Ibeji é tudo de bom, belo e puro que existe; uma criança pode nos mostrar seu sorriso, sua alegria, sua felicidade, seu engatinhar, falar, seus olhos brilhantes. Na natureza, a beleza do canto dos pássaros, nas evoluções durante o vôo das aves, na beleza e perfume das flores. A criança que temos dentro de nós, as recordações da infância. Feche os olhos e lembre-se de uma felicidade, de uma travessura e você estará vivendo ou revivendo uma lenda desse orixá. Pois tudo aquilo de bom que nos aconteceu em nossa infância, foi regido, gerado e administrado por Ibeji. Portanto, ele já viveu todas as felicidades e travessuras que todos nós, seres humanos, vivemos.
A lenda, a história de Ibeji, acontece a cada momento feliz de uma criança. Ao menos para manter vivo este importante orixá, procure dar felicidade a uma criança. Faça você mesmo o encantamento de Ibeji. É fácil: faça gerar dentro de si a felicidade de estar vivendo. Transmita esta felicidade, contagie o seu próximo com ela. Encante Ibeji com a magia do sorriso, com o amor de uma criança. E seja Ibeji, feliz!

LOGUN-EDÉ ("príncipe aclamado")
Logum, orixá andrógino, filho de Erinlê (qualidade de Oxóssi) e Oxum-Okê (Oxum guerreira) que vive nas montanhas, cujo culto é feito, apesar de raro, em Ijexá, Nigéria. Orixá com muitos adeptos no Rio de Janeiro. Representa o príncipe das matas e caça, já que Oxóssi é o rei. Durante seis meses do ano vivia nas matas com o pai Oxóssi, alimentando-se da caça e, os outros seis meses vivia nas águas com sua mãe Oxum, abastecendo-se de peixes. Ele representa a síntese desses dois orixás. Esta síntese também está presente nas suas vestimentas, instrumentos e oferendas. Seu otá é composto de duas pedras, uma retirada da mata e outra retirada das águas (rios e cachoeiras). Logum dança ora como o pai, ora como a mãe.
Logum-Edé é a beleza em pessoa, o encanto dos jovens, o namoro, o flerte. Ele rege a ingenuidade do jovem, a adolescência. Seu encanto está no primeiro beijo, no primeiro abraço, na primeira oportunidade de "mãos dadas", no primeiro carinho. É também o deus da arte, o príncipe daquilo que é belo e terno, da alegria e jovialidade. Porém, de gênio imprevisível, encontramos Logum-Edé na intriga, no segredo maldoso, pois ele é capcioso, matreiro, inventivo, meio moleque.
Conta a lenda que seus pais brigavam muito, achando melhor viverem separados. Oxóssi na montanha e Oxum no seu domínio, onde havia água e uma cachoeira. Por gostar muito dos dois, como era um grande feiticeiro, preparou uma poção na qual durante seis meses teria características masculinas, usando um ofá para caça e usando roupas azul turquesa, e nos outros seis meses assumiria características femininas, usando roupas amarelo-douradas e empunhando um abebê. Um dia Logum estava com sua mãe, entediado resolveu dar uma volta, caminhou e chegou em Ifé (reino de Ogum). Com seu jeito, cativou Ogum e foi morar com ele. Preocupada com a demora do filho, Oxum foi procurá-lo, e tal foi seu espanto quando o encontrou morando com Ogum. Irada, expulsou-o de casa. Logum não entendendo o que se passava, foi procurar o pai, Oxóssi, que também o colocou para fora de casa.
Desesperado, andou até Oió, encontrando Oia-Iansã que o acolheu e o proclamou príncipe, por sua formosura, apesar da pouca idade. Sabendo da poção mágica, fez Logum bebê-la, porém nada adiantou pois seu efeito já tinha passado. Surpreendentemente, se transformou em uma pessoa andrógina.

OXUMARÉ ("aquele que se desloca com a chuva e retém o fogo nos seus punhos" )
Orixá andrógino, cuja função principal é a de dirigir as forças que produzem movimento, ação e transformação. Por ser bissexual, tem uma natureza dupla; é representado na mitologia daomeana por uma cobra e o arco-íris, que significam a renovação e a substituição.
Durante seis meses é masculino, representado pelo arco-íris e tem como incumbência levar as águas da cachoeira para o reino de Oxalá no Orum (céu). Nos outros seis meses, Oxumaré assume a forma feminina, e nessa fase, seria uma cobra que vez ou outra se transforma em uma linda deusa chamada Bessém.
A dualidade de Oxumaré faz com que ele carregue todos os opostos e antônimos básicos dentro de si: bem e mal, dia e noite, macho e fêmea, doce e amargo.
Como uma cobra, morde a própria cauda formando o símbolo ocidental do Orobóros, gerando um movimento circular contínuo que representaria a rotação da Terra e próprio movimento incessante dos corpos celestes no espaço. Nas lendas, aparece sempre como filho de Nanã e Oxalá.
No Brasil, seus iniciados usam o brajá, um longo colar de búzios trabalhados de maneira a parecerem as escamas de uma serpente. Durante sua dança, o iaô aponta os dedos para cima e para baixo, alternadamente indicando os poderes do céu e da terra. Em algumas regiões é cultuado como deus da riqueza, simbolizado por uma grande cunha entre seus apetrechos de culto.
Oxumaré está presente nas negociações, no pagamento das contas, no recebimento de um prêmio, na compra, nos negócios envolvendo gastos, lucros e despesas. Está presente nos bancos, nas financeiras, enfim, nos lugares em que se manuseia dinheiro



EWÁ (nome de um rio nigeriano)
É um orixá feminino, divindade do canto, das coisas alegres e vivas. Dona de raro encanto e beleza, e é considerada como a rainha das mutações, das transformações orgânicas e inorgânicas. É o orixá que transforma a água de seu estado líquido para o gasoso, gerando nuvens e chuva.
Quando olhamos para o céu e vemos as nuvens formando figuras de animais, objetos, pessoas, ali está a magia e o encantamento de Ewá, evoluindo e desenhando no céu. É a deusa do que é belo, dando cores aos seres tornando-os vivos e bonitos. Está ligada com a alegria, regendo com Ibeji o que se tem ou o que se seja ser feliz. Filha mais nova de Nanã, gêmea de Oxumaré, irmã de Obaluaiê e Ossain.

OBÁ ("rainha")
Divindade guerreira, considerada até como uma Oia-Iansã velha, originária do rio de mesmo nome na Nigéria. Ligada à água doce como Oxum, ao contrário desta está presente nas águas revoltas como: enchentes, inundações e cheias dos rios e também no corisco, que lhe foi dado pelo marido Xangô. É o orixá que domina a paixão. Obá rege a desilusão amorosa, a tristeza, o sentimento de perda, a incapacidade do homem de ter o que ama e deseja. Obá é a raiva, a frustração, a solidão, a depressão, o sentimento de abandono. Embora a lenda diga ser Obá uma guerreira vencedora, ela conseguiu seu encantamento no oposto, ou seja, na derrota.
Obá era esposa de Xangô, juntamente com Oxum que muito esperta queria se livrar da rival. Certo dia, para enganar Obá, Oxum apareceu com um pano cobrindo uma das orelhas. Obá quis saber o que era aquilo, e ela então contou que tinha cortado a própria orelha e colocado na comida de Xangô, e este teria gostado muito, daí ela ser a sua favorita. Obá por tanto amor que nutria pelo marido, não pensou duas vezes, e fez o mesmo. Xangô repugnado expulsou-a de seu reino. E toda esta dor, desesperança, abandono, ficou em Obá e tem sua regência. É a lógica dizendo que é a "última gota", que faz transbordar nossos sentimentos. Se um rio enche e transborda, é porque não suporta mais o volume de água, deixando escapar "aquilo que não cabe mais", isto é Obá, esta é sua regência, seu encantamento e sua influência. Geralmente quando incorpora, lança-se contra as filhas de Oxum, principalmente se estas estiverem próximas do orixá Xangô. A iniciação de uma filha de Obá necessita de certas ervas difíceis de serem encontradas no Brasil. Daí o grande número de filhas de Oia-Iansã, de características muito semelhantes a Obá, crescer a cada dia.

OSSAIN ("luz divina")
O deus das ervas, dono das matas, orixá da medicina, da cura, da convalescença. Mestre do poder curativo das ervas, que proporciona o Axé das plantas, ou seja, a força vital, imprescindível à realização de qualquer ritual nos Cultos Africanos.
Ossain é a mágica das folhas, tornando mágicas também a sua convivência com os seres humanos. É o pai da fitoterapia; tem influência na homeopatia, aquele que gera a capacidade de cura pela ingestão ou aplicação de plantas medicinais; nos consultórios, nas cirurgias, na farmácia, nas pesquisas químicas e científicas. Ele é o alquimista, o mágico, o senhor das poções mágicas e curativas, o bruxo, o médico dos orixás. Conhecedor profundo do segredo de todas as ervas.
Toda vez que queimamos uma floresta, desmatamos, cortamos árvores, ou simplesmente arrancamos folhas desnecessariamente, estamos violando a natureza, ofendendo seriamente essa força natural que denominamos Ossain.
Assim, todo orixá que precisava de uma erva ou planta devia em primeiro lugar pedir a Ossain, que cobrava por estes trabalhos, aceitando como pagamento mel, fumo, etc.… Até que um dia Xangô passou a achar que todos os orixás deveriam ter o conhecimento das ervas, e pediu a Oia-Iansã que convencesse Ossain a dividir com os demais os segredos e os mistérios das plantas. Oia-Iansã sacudiu sua saia provocando grande ventania, espalhando as folhas para todos os orixás, para que cada um exercesse poder sobre uma delas. Em meio a ventania, Ossain repetia sem parar: Eu, eu assa!, que significa "Oh, folhas!". Embora cada orixá tenha se apossado de um tipo de folha, com esta reza Ossain evitou que seu poder fosse distribuído com eles, pois só ele conhecia o axé de cada uma delas conservando só para ele o poder sobre elas.

OXALÁ
Oxalá, o mais importante e elevado dos deuses iorubanos, foi o primeiro a ser criado por Olorum, o deus supremo. Representa o céu, o princípio de tudo, e foi encarregado de criar o mundo.
De sua união com Iemanjá resultou o nascimento da maioria dos orixás e da linha do horizonte, dividindo o céu e o mar. É considerado o pai de todos os orixás na cultura iorubana.
Equilíbrio positivo do universo, é o pai da brancura, da paz, da união, da fraternidade entre os povos da terra e do cosmo. É considerado o fim pacífico de todos os seres. Orixá da ventura, da compreensão, do entendimento, do fim da confusão.
Oxalá é orixá que vai determinar o fim da vida, o fim da estrada do ser humano, o fim com a certeza do dever cumprido. A morte deve ser encarada com naturalidade como encaramos os demais assuntos da nossa vida, pois ela faz parte da natureza e sabemos que tudo tem um início, um meio e um fim.
Exu inicia, Oxalá termina. É assim nas rodas de Candomblé, nos Xirês, quando louvamos todos os orixás. É ele que sempre atuará como mediador para acalmar discórdias em qualquer plano e produzindo uma solução, uma definição.
Oxalá era marido de Nanã, senhora do portal da vida e da morte. E por determinação dela, somente os seres femininos tinham acesso ao portal, não permitindo aproximação de seres masculinos em hipótese alguma. Determinação que servia também para Oxalá, que com o passar do tempo não se conformava com esta decisão, não só por ser marido de Nanã, como por sua própria importância no panteão dos orixás.
Assim pensou até que encontrou uma forma de burlar as determinações de sua esposa. Não fugindo de sua cor branca, vestiu-se de mulher, colocou o adê (coroa) com os chorões no rosto, próprio das iabás e aproximou-se no portal satisfazendo enfim sua curiosidade. Foi pego, porém, por Nanã no exato momento em que via o outro lado da dimensão. Nanã aproximou-se e determinou:
- "Já que tu, meu marido, vestiste-te de mulher para desvendar um segredo tão importante, vou compartilhá-lo contigo. Terás, então, a incumbência de ser o princípio do fim, aquele que tocará o cajado três vezes ao solo para determinar o fim de um ser. Porém, jamais conseguirás te desfazer das vestes femininas e, daqui para frente terás todas as oferendas fêmeas!"
E Oxalá passou a comer não mais como os demais santos aborós (homens), mas sim cabras e galinhas como as iabás. E jamais se desfez das vestes de mulher. Em compensação, transformou-se no senhor do princípio da morte e conheceu todos os seus segredos.

ORIXÁS BALÉS (ligados à morte)
OGUM - intimamente ligado a causa de acidentes e desastres
OBALUAIÊ - ligado à doenças letais e contagiosas. Servirá de guia para os espíritos desencarnados;
OIA-IANSÃ - regente dos cemitérios e principalmente por também ser guia dos eguns;
NANÃ - dona do portal da vida e da morte. Considerada como a própria morte;
OXALÁ - princípio ativo da morte. A determinação final. A paz. O fim.


O Orixá e sua relação com os Santos Católicos:

Oxalá - N.S.Jesus Cristo, N.S. do Bonfim
Xangô - São Jerônimo, São Pedro
Ogun - São Sebastião (Bahia), São Jorge (RJ)
Oxossi - São Sebastião(RJ), São Jorge (Bahia)
Obaluaiê - São Lazaro, São Roque
Oxumare - São Bartolomeu
Logun edé - Santo Expedito
Ibeji - São Cosme e São Damião
Exu - Santo Antônio, e erroneamente Diabo
Nana - N.S.Santana
Iemanjá - N.S. da Glória, N.S. dos Navegantes
Oxum - N.S.Conceição (RJ), N.S. das Candeias (Bahia)
Iansã - Santa Bárbara
Oba - Santa Catarina

DIFERENÇA ENTRE CANDOMBLÉ E UMBANDA
É necessário elucidar a diferença entre Candomblé e Umbanda, pois a frase mais comum que ouvimos de pessoas leigas no assunto é: eu achava que tudo era a mesma "coisa". O primeiro ponto sobre a diferença entre Candomblé e Umbanda, é que: não há semelhança entre os dois. A começar pelas origens, o Candomblé é uma religião africana que existe desde os tempos mais remotos daquele continente, que é o berço da terra. De uma forma básica, no Candomblé não existem "incorporações" de espíritos, pois os orixás de quem sentimos força e vibrações, são energias puras da natureza, que não passaram pela vida, ou seja, não são "entidades", mas elementais puros da natureza, criados por Olorún. No Candomblé a consulta é feita através da leitura esotérico/divinatória do jogo de búzios (no Brasil) - forma de leitura exclusiva do povo candomblecista - e o tratamento para cada caso, é feito com elementos da natureza, oriundos dos reinos vegetal, animal e mineral, através de ebós (oferendas), Orôs (rezas) e rituais africanos. A Umbanda por sua vez - sem qualquer demérito a quem a pratica, pois se levada de uma forma séria e consciente tem seu mérito, valor e aplicação -, é uma religião brasileira, que advém do sincretismo católico-fetichista, necessário em uma época de grande repressão das religiões africanas, em que era proibido o culto dos orixás na sua forma de origem. A partir desta premissa, a Umbanda começou a tomar corpo, com algum conhecimento de alguns africanos no trato com seus ancestrais, onde se fazia a "incorporação" de algum ente falecido, por um elégún por motivos familiares. Na Umbanda por sua vez, a consulta é feita através de um médium "incorporado" , e os "trabalhos" pelo espírito ali incorporado com seus elementos rituais. A umbanda é deste século, e utiliza os orixás do Candomblé, sob outra forma e outro aspecto. Qualquer incorporação, deste gênero, que se fale com as pessoas, beba ou fume em público, não é Candomblé, é umbanda; a única manifestação "semelhante" no Candomblé é a figura do Erè, que, assim como o orixá, é um elemental da natureza, com uma conduta infantilizada, e que nunca passou pela vida, portanto não é um egun (espírito de morto). Ele tem função específica, e uma delas é se comunicar pelo orixá, justamente pelo fato de que ele não fala. Assim, nos referimos como "estado de erê".

O RITUAL DE ENTRADA

O ritual de iniciação no candomblé é uma cerimônia secreta. Antes de ser iniciada, a noviço (a) fica quase um mês trancada na camarina, um quartinho muito simples que tem uma portinha, a palha do dendezeiro e para entrar é necessário tirar os sapatos. O teto é de amianto e a camarina tem uma janelinha, para ventilar o ar. No chão, uma esteira e atrás uma mesinha, um prato, uma caneca e a noviço (a) só pode comer com colher.
Durante o período de clausura, o futuro filho de santo passa por um processo de entorpecimento, tendo a cabeça raspada, bebendo sangue de animais sacrificados e fazendo o juramento ao candomblé. No dia da festa, o terreiro fica cheio de convidados. O barracão canta com os atabaques. O iniciado (a) é finalmente apresentado ao público.

INCORPORAÇÃO E POSSESSÃO

Assunto polêmico até mesmo entre os adeptos, o qual dá margem, a interpretações e atitudes, erradas, exageradas e equivocadas, dentro e fora da comunidade.
Duas situações de extrema seriedade, normatizam e definem na sua essência a "incorporação" pelo orixá do seu "filho", lista na categoria dos adoxús, aqueles que "sentem" o orixá:

1º - A Lei de Deus não permite, em momento ou instante algum, que o ser humano, não esteja sempre em condições de exercer seu livre arbítrio, ou seja, comandar a si mesmo.

2º - Este mesmo livre arbítrio está presente em todas as horas e situações no Candomblé, e, como dissemos, o orixá, é uma energia pura da natureza.
Portanto, o que sentem os adoxúns quando "incorporados", é uma forte vibração dessa energia, que no primeiro impacto, é muito forte e com o decorrer do tempo de "incorporação", vai enfraquecendo, para explicar melhor ao leigo, é como uma forma de "encanto", motivo pelo qual a atitude, de quando ainda a pessoa é iniciada, não abre os olhos ou fala, pois se o fizer, some o "encanto", com o passar dos anos, este orixá "incorporado" assume algumas atitudes independentes, pelo seu próprio amadurecimento e compreensão desta forma de energia . O que varia bastante de pessoa para pessoa, é a intensidade dessa energia, e, como se sente, quando está sob esse efeito. A única possibilidade, fora disso, para uma perda de consciência, é de que, na África, conforme consta em alguns livros, eram ministrados aos iniciados (mas somente nesta fase) um tipo de beberagem. Composta de plantas que teriam este poder, da pessoa ficar num estado de letargia ou sub-consciência.




A RELIGIÃO
O Candomblé é uma religião dinâmica, ao contrário da imaginação de muitos, pela sua variedade de deuses, é essencialmente monoteísta, crê em um único Deus e criador, Olorún (olo=dono, senhor ; orun= céu, espaço celeste sagrado), que criou o céu e a terra, os orixás e o homem. O Orún sua moradia e dos Araorún, todos os ancestres e elementais divinizados; o Aiyé, moradia dos Araiyé, os seres humanos, os animais, vegetais, minerais e toda forma da natureza; os orixás, elementais da natureza por excelência, guardiões e fiscais da mesma energia indispensável para toda sobrevivência, com função dupla: reger e cuidar da natureza em si e da natureza humana; o homem, objeto maior da sua criação, para de tudo usufruir dentro dos critérios do seu Criador. A teologia yorubana, crê no Orún e Aiyé, e em momento algum cita as palavras inferno e pecado. As leis, a lógica, o bom senso e os ensinamentos permeiam a conduta das pessoas. No candomblé nada se inventa, tudo se aprende, o saber e o conhecimento só vem com o tempo, ensinamento, humildade, axé, merecimento e compreensão; a sua prática tende a se adaptar, pelo crescimento e modernidade do mundo, professando a sua religião através dos seus ritos, cada vez mais, confinados no Ilê.
AS REGRAS
Para existir um Ilê (casa de candomblé), é necessário um Babalorixá ou Yialorixá, competente, iniciado dentro da lei, seguindo rigidamente ao longo dos seus anos de iniciação suas normas e preceitos, pois somente assim terá o aval, o consentimento, o axé necessário para desenvolvimento das suas atribuições, atributos esses consignados por seu iniciador no nosso plano material, e seu conseqüente desempenho com resultados positivos junto à sua comunidade, que só serão obtidos com a aquiescência dos orixás que os monitoram de forma permanente, permitindo ou até mesmo interrompendo uma situação de resultados realmente significativos, quer seja na sua leitura esotérica ou no trato com o povo. Um Ilê com axé, é estruturado com estudo, aprendizado, dedicação, humildade, respeito e principalmente, conduta ritual. A medida que o ilê vai "merecendo" os orixás vão lhe "dando” valores ao ponto de se obter uma estrutura suficiente, para o início das atividades de um novo Ilê. As pessoas que freqüentam uma casa de candomblé, basicamente são: praticantes, simpatizantes e usuários. A procura por esta religião tanto para prática como consulta, é muito em virtude de um atendimento pessoal e individualizado, em que as pessoas têm uma participação ativa. Naquele instante a pessoa não é uma a mais na multidão, mas o centro das atenções, de uma forma que possa canalizar toda sua fé, para obtenção do seu objetivo.

O AXÉ
Energia mágica, universal e sagrada do orixá. É uma energia muito forte, mas que por si só é neutra. Deve ser anipulada e dirigida pelo homem através dos orixás e seus elementos símbolos. O axé dos iniciados está ligado, e diretamente proporcional a sua conduta ritual - relacionamento com seu orixá; sua comunidade; suas obrigações e seu babalorixá.
O axé é o elemento mais precioso do Ilê, é a força que assegura a existência dinâmica. É transmitido, deve ser mantido e desenvolvido, e como toda força pode aumentar ou diminuir e essa variação está relacionada com a atividade e conduta ritual. A conduta é determinada pela escrupulosa observação dos deveres e obrigações, de cada detentor de axé, para consigo, seu orixá e para com seu ilê. O desenvolvimento do axé individual e do grupo impulsionam o axé do ilê. A força do axé é contida e transmitida através de certos elementos e substâncias materiais, e é transmitido aos seres e objetos, que mantém e renovam os poderes de realização. O axé está contido numa grande variedade de elementos representativos dos reinos: animal, vegetal e mineral. Quer sejam da água (doce ou salgada), da terra, da floresta, mato ou espaço urbano. Está contido nas substâncias naturais e essenciais de cada um dos seres animados ou não, simples ou complexos, que compõem o universo.
Os elementos portadores de axé podem ser agrupados em três categorias:
1 – sangue vermelho (ex: sangue, óleo de dendê, cobre e bronze etc)
2 – sangue branco (ex: sêmen, álcool e sais etc)
3 – sangue preto (ex: cinzas de animais, carvão e ferro etc)
Toda oferenda e ato ritualístico implicam na transmissão e revitalização do axé. Para que seja verdadeiramente ativo, deve provir da combinação daqueles elementos que permitem uma realização determinada. Receber axé significa incorporar os elementos simbólicos que representam os princípios vitais e essenciais de tudo o que existe. Trata-se de incorporar o aiyé e o orún, o nosso mundo e o além, no sentido de outro plano. O axé de um ilê é um poder de realização transmitido através de uma combinação que contém representações materiais e simbólicas do "branco", "vermelho" e "preto", do aiyé e orún. O axé é uma energia que se recebe, compartilha e distribui, através da prática ritual. É durante a iniciação que o axé do ilê e dos orixás é "plantado" e transmitido aos iniciados.

O JOGO DE BÚZIOS

O jogo de búzios é uma leitura divinatória e esotérica por excelência, utilizado como consulta para identificar nosso orixá (ori= cabeça + ixá=guardião), que é a mesma figura do anjo de guarda como também a situação material, astral e espiritual de uma pessoa.
A leitura esotérica divinatória está diretamente ligada à Òrúnmìlà, cujos babalorixás, são seus porta-vozes, outras lendas africanas, mostram a ligação do jogo de búzios com Exú, Oxum e Oxalá. O jogo de búzios é exclusivo dos candomblecistas praticantes e reconhecidamente iniciados.
Os búzios são jogados em número de dezesseis, que correspondem aos dezesseis odús principais: okaran (exú), megioko (ogum), etaogunda (obaluayiê), iorosun (yemanjá), oxê (oxum), obara (oxossi e logunedé, na África é um odú de xangô), odí (omolu e oxalá), egionile (oxaguian), ossá (oyá e yemanjá), ofum (oxalufan), owarim (oyá), egilexebora (xangô), egioligibam (nanã), iká (ossain e oxumare), obeogundá (ewá e obá) e alafia (orixalá).
Duas formas são as mais utilizadas, sobre a urupema (peneira), ou sobre erindilogun (fio de contas), que em alguns casos constam os dezesseis orixás cultuados atualmente no Brasil; igualmente constam desta parafernália: uma otá, uma vela branca, um adjá (espécie de sineta) usado para saudar os orixás, abrir o jogo e convocar o eledá do consulente para que permita uma boa leitura; água; indispensável os fios de Oxalá e Oxum; um côco de ifá; moedas; favas; obi; orobô; um imã; uma fava (semente) especial que represente no jogo o eledá consultado, aforante a isso um preparo do babalorixá, e os orôs (rezas) necessários.

Para uma boa leitura de búzios, três situações são fundamentais:
1) Conhecimento e aprendizado.
2) Autorização, através de ritual próprio, o qual é ministrado por sacerdote responsável, tendo o iniciado passado por completo, com seriedade e merecimento, seu período de iniciação, que são no mínimo 7 anos.
3) Seriedade do consultor e do consulente.

Quem "responde" no jogo de búzios é o orixá do consulente, ele é quem determina a formação dos búzios para serem analisados, é uma espécie de permissão, do orixá, para que a situação do seu filho seja exposta.


O SACRIFÍCIO DE ANIMAIS

Os animais comumente utilizados são, em via de regra: galos, cabritos, carneiros, pombos e galinhas da angola; machos e fêmeas. Sua forma de abate, é cortado o pescoço com faca bem afiada. Após o sacrifício do animal, cujo sangue é derramado, em local determinado, são retirados os "axés", que são as vísceras principais (moela, rim, pulmão, coração...) que serão cozidas ou fritas, colocados num oberó (prato de barro) e oferecidas como complemento. A carne, será consumida normalmente pelas pessoas, como se estivesse sido comprada em um supermercado.
No Candomblé, utilizar o sangue e demais vísceras dos animais dessa forma tem uma causa e objetivo nobre: o de produzir uma energia, o axé, que irá cumprir uma função: o sangue como forte elemento portador de energia.

AS ERVAS DOS ORIXÁS
As ervas contém grande quantidade de axé – energia mágico-universal e sagrada, que bem combinadas entre si, detém forte poder de limpeza da aura e produzem energia positiva. Um banho de ervas do orixá do candomblé age sobre a aura eliminando energias negativas, produzindo boas energias. Um banho de ervas deve reunir as ervas adequadas a cada caso a fim de agir diretamente sobre distúrbios, eliminando sintomas provocados por más energias. Algumas das ervas largamente utilizadas pelo candonblé são:
Babosa, Aloe Vera, Erva de Santa Luzia, Sete Sangrias, Goiabeira, Mamona Vermelha, Melissa, Alfavaca, Patchouli, Alecrim, Alfazema, Algas Marinhas - Saião Amoreira.

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Meu nome: Eliana.
e-mail: monteiro.eliana@yahoo.com.br

Bom, muito bom. Vou add aos meus favoritos.

Só que os reis africanos não são órisás, são éboras ou orisás gerados.

E quanto a Èsù, é ¹/² complicado.

Èsù é o síwájú (o primeiro a ser cultuado), ele é o primeiro Òrìsà a ser cultuado em qualquer rito.
Isso se explica devido ao seu papel de energia condutora, propulsora, recapacitadora e reconstituidora.

Èsù é o líder dos Òrìsà, o primogênito do Universo, o primeiro elemento a ser criado. A criança querida de Olódùmarè. É ele que controla o sono dos Òrìsàs, p/ que todos não acordem ao mesmo tempo. Só que é chegada a hora dele descansar e os Òrìsàs acordarão todos ao mesmo tempo (alterações climáticas, entensas e constante), o tão dalado Armagedon hebreu. As religões contam a história do planeta e trazem 1 advertencia ao homem: que ele respeite o planeta, com isto o planeta ficará ativo + tempo e demorará a repousar.

Assim como Olódùmarè representa o princípio da existência genérica Èsù é o princípio da existência diferenciada.

Èsù na qualidade de nosso pai e mãe e como 1 viajante do tempo e espaço foi designidado p/ trazer a vida que seria gerada em nosso planeta (clonagen e in vitro).

Os Ancestrais não são os mortos, são os que vieram ao nosso mundo p/ ensinar o homem a pensar, falar, caçar, plantar, viver em comunidade.

Escrevi muito +; perdi o comentário em 1 pique de energia.

As lendas africanas contam a criação do homem e o hinduísmo decodificou as lendas africanas. Só não sabe a verdade quem quer continuar com o véu da massificação na mente. Já fui adepta ao Candomblé, essa religião maravilhosa e secreta.

6:37 AM  

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